segunda-feira, 9 de março de 2009

Blogagem Coletiva - Inclusão Social

Como pensar uma consciência inclusiva?
Precisarei falar em diferença e igualdade e, na tentativa de ‘apaziguar’ essa dicotomia, algo paradoxal me surge: a necessidade de repensar esse termo que, necessariamente, precisa da ‘exclusão’ para se afirmar.
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Eu explico: há uma subjetividade e abrangência inerente ao 'diferente’.
É um não saber sobre o outro na diferença de si mesmo.
Diria ainda que para pensar ‘inclusão social’, seria necessário intervir nas desigualdades, no que a mim incomoda e que rejeito, naquilo que me é diverso...
E se entendêssemos que o Estado democrático produz ‘desigualdades’, seria negarmos a possibilidade de igualdade e inclusão daquilo que diferente rejeito?
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A sociedade ‘regula’ a exclusão.
No mundo capitalista, historicamente, há práticas socialmente excludentes que precisamos repensar, rediscutir, nos implicar...
Haveria algum debate possível para que intervíssemos nessas desigualdades e nessa exclusão?
Quais seriam as práticas inclusivas?
Como abordarmos a Inclusão se é evidente a intolerância e o não saber sobre o outro da diferença?
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O que seria e a quem se destinaria uma 'Educação Inclusiva'?
Penso que as sociedades inteiras precisariam repensar este momento...
Proponho que pensemos, quantas vezes nossas peles se sentiram excluídas e como foi essa experiência...
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9 comentários:

PALAVRAS AO VENTO disse...

Pensar no outro e em nós mesmo excluidos socialmente talvez seria a melhor maneira de entender o que é inclusão social. No outro texto você disse sobre a voz dos loucos. Perder a credibilidade como pessoa por algum tipo de doença psiquica (e você sabe do que falo) é de fato sentir na pele a exclusão. Exclusão e inclusão, andam juntas. A ultima só acontece em decorrência da primeira.
Abraços Mai.

Nanda Assis disse...

muito bacana esta iniciativa.

bjosss...████
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Compondo o olhar ... disse...

lindo seu texto, parabens pela bela participação nesta gde idea, a blogagem coletiva.


abraços

M. Nilza disse...

Tá muito bom seu texto. Não tive condições de fazer algo tão bom assim, mas enfim estou participando tbm

Beijos

Elcio Tuiribepi disse...

É verdade Mai, já me senti excluído...rsrs, já me senti sendo olhado de cima em baixo, e agora me pergunto, será que já fiz isso com alguém? Sei lá, mas acho que não...simplicidde é uma características minhas de que mais gosto, tratar as pessoas de forma igual também...
Acho é que fazemos pouco, somos na verdade bastante egoístas, ou impotentes diante de tudo isso, acomodados talvez...rs...acho que é assim...bela abordagem,resolvi comentar neste aqui hoje...rs..um abraço na alma...

mateo disse...

Deixa-me dar-te uma história da minha vida... de professor.
Entrei na sala de aula e o "deficiente auditivo profundo" ( as boas maneiras e a dita "inclusão" obrigavam-me a escrever e a dizer assim... Para os colegas ele era o "surdo"!) ao fundo, meio assarapantado. 15 anos no meio de mais 19 putos de 10 e 11.
E comecei a contar-lhes a História do meu país. Tinha cortado o bigode para ele poder ler-me nos lábios. E se já não era grande coisa... pior fiquei... em nome da inclusão! Eu não sabia uma letra da linguagem gestual. Eu próprio não estava na "inclusão"! Coisas exclusivas...
Acabada a aula, senti-me revoltado. E nas aulas seguintes, o dilema era sempre o mesmo: a quem ensinar? Ao incluído/excluído ou aos não-surdos? Aulas houve em que a exclusão foi para os não surdos... os excluídos!
Não te revelo o que lhe fizemos, eu e os outros professores... Não vale a pena.
Encontrei-o, 5 anos depois, a guiar, sozinho, uma pequena camioneta, a 150 kms da antiga escola. Ia distribuir os frangos que a família produzia.
Abraçámo-nos!
Tínhamos (eu e os meus colegas) ajudado, verdadeiramente, a incluí-lo na sociedade... "excluindo"-o das minhas aulas.
Beijo.

PS: Perdoa esta ocupação de espaço. Mas não tenho "teorias" sobre a "inclusão"...

Multiolhares disse...

O mundo está muito desumano, ninguém de preocupa com ninguém e quem é diferente é excluído, as crianças nas escolas em Portugal, se não levam roupa de marca são excluídos, como podem tornar-se homens de valor se iniciam assim os princípios

beijos

Luiz Gonzaga B. Jr. disse...

Excluir, incluir. Parece que as palavras se misturam e se comfundem. Criam-se cotas para todo tipo de "grupo" e não dão-se conta de que essa é a pior forma de exclusão.

Daniel Hiver disse...

Adorei o teu texto. É desses que quando acabamos de ler, quase instintivamente nos dedicamos às releituras em busca de detalhes e novos significados. Inclusão-exclusão! Isso faz aflorar tantos pensamentos e lembranças.

Já me senti “dentro” tantas vezes e totalmente por fora em outras, que posso dizer hoje que a minha vida é uma coleção de experiências dessa natureza. O que para mim mais pesa e me agita é a conclusão a que cheguei de que as pessoas ficam na volta, se mostram solícitas, simpáticas, quando temos o poder nas mãos de dar a elas o que elas querem. Então se comportam como bajuladores.

Agora quando as circunstâncias mudam, e não podemos mais conceder a elas os favores e os privilégios que elas tanto anseiam obter, aí nos viram as costas, esquecem nosso e-mail, nosso número de telefone. Simplesmente evaporam e até nos esnobam. Portanto uma forma de inclusão seguida de exclusão. Fazemos parte de suas vidas. Alguns dão até presentes e concedem agrados por que querem algo que temos ou que podemos oferecer. Mas somos excluídos a partir do momento que nos damos conta das manobras e deixamos a ingenuidade de lado e cortamos o mal pela raiz.

Triste ver que a maioria é desse tipo e que amigos, amigos mesmo; ao longo de uma vida inteira, numa contagem ou numa lista, talvez fiquem limitados aos dois, três, quatro ou, no máximo, cinco dedos de uma mão.

Esse tipo de inclusão-exclusão me pesa mais do que as muitíssimas outras formas desse paradoxo que se vê também nas ruas, nas escolas, no transporte público, nos sistemas de saúde e em todos os lugares.

Mas a forma de inclusão-exclusão que descrevi não é egoísta. É apenas a mais próxima a mim.