Seguirei refletindo sobre a dor e o ressentimento, seus destinos, e os caminhos possíveis à agressividade e sentimentos de inadequação e destrutividade. Para focarmos este ensaio, não incluiremos aspectos religiosos ou geopolíticos. No texto anterior foi possível perceber que, por mais remotamente inscrita, para todas as peles que deixaram registros aqui, a dor é inerente ao ser humano e que, objetiva ou subjetivamente se faz ressentir em experiências análogas, ao longo da vida.
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Em pequenos intervalos, as novas tentativas de superação das experiências dolorosas empreendidas, podem resultar em vão e assim trazem de volta - com o ressentimento - a memória daquela dor inicial e insuportável. Acrescida de sentimentos potencializadores e a contar com a condição humana que é diferente de natureza humana - a destrutividade - interna ou externamente produziria as diferenças humanas e assim, novas formas de expressão de natureza e cultura.
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A ação de ressentir seria uma tentativa desesperada de refazer o sentimento de impotência. O ressentido, nesta penosa sequência de investimentos falhos, sofreria em escala crescente uma espécie de distorção em seu comportamento, resultando em um processo desconstrutor que na maioria das vezes, foge à nossa percepção.
a reflexão que agora proponho às nossas peles é pensarmos se: uma vez que chegamos em limites exacerbados de dor, angústia e vazio, seria possível ao Homem encontrar formas possíveis de significar, expressar e manifestar este impulso agressivo, sem que isto gerasse sentimento de inadequação e consequente destrutividade e aniquilamento? Que destinos construtivos seriam possíveis à pulsão nesta nova era?
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Em descargas brutas e automáticas esta força pulsional que ao mesmo tempo é capaz de criar ou matar, seria como um monstro que, desgovernado e incontido, buscaria saciedade imediata a qualquer custo, de qualquer modo. No texto anterior, vimos que as posições de Nietzsche, Freud e Scheler são pessimistas. Segundo Freud a destrutividade seria uma inclinação autônoma, e a pulsão podendo ser ao mesmo tempo criativa e destrutiva interna e externamente, em extremos poderia levar ao aniquilamento de si e de outrem. Freud sugere que pensar a dor, sentí-la e significá-la de modo construtivo poderia estreitar relações emocionais e nisto estaria o antídoto às guerras..
Opostamente temos o não pensar, a recusa em destinar criativamente esta pulsão. Nos instantes de crise e estrangulamento decorrentes do esforço psíquico do sujeito ressentido em reprimir sistematicamente a descarga de certas emoções e afetos, a pulsão transbordaria culminando no adoecimento físico ou psíquico, com menor ou maior gravidade até chegar em extremos, à destrutividade e aniquilamento. Somente através do pensar, poderíamos encontrar outros destinos.
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Mas como encontrar um destino possível, se ao que parece, a tendência atual seria o não pensar; e descarregar automática e autonomamente esta força, numa onda crescente de violência e morte? Por outro lado, se falamos de pensamento e expressão, o silêncio mórbido e aflito do ressentido, poderia ser contra-indicado?
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Ora, se apenas no pensamento e do poder criativo residem as alternativas para ressignificarmos este incômodo, e se comumente nos recusamos a pensar e elaborar, como poderíamos vislumbrar um destino construtivo nessa nova era?
De que modo poderíamos expressar tal impulso, sem que a decisão resulte em violência exterior ou auto-destruição?
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A despeito dos avanços científicos e tecnológicos, a dor é inerente e inevitável pois em alguma medida a tecnologia se mostra ineficaz àquilo que é subjetivo. O que mais assistimos neste instante é a recusa do Homem em pensar destinos construtivos à sua dor e vazio, aos seus impulsos mais primitivos e secretos.
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Se pelo que vimos a recusa em pensá-la nos embrutece, como poderíamos desenvolver mecanismos para conciliar e apaziguar esta força de trabalho que é a pulsão, com expressões adequadas ao convívio civilizado, com pretensões a construção de um mundo diverso e sustentável?
Que caminhos e expressões sua pele vem encontrando para destinar seus impulsos?
Seria possível modificar padrões de comportamentos destrutivos, e transmutar essa força motriz em expressões criativas e construtivas?
Como fazer e quais os caminhos possíveis para fazê-lo, se desistimos das experiências em trilhas opostas às costumeiras, porque o novo ainda dó mais?
É isto que proponho possamos discutir a partir de agora.
O que sente sua pele? O que pensa você?
Parece-me que são muitos os sentidos, caminhos, direções, destinos e expressões, gritos e falas, e cada pele que sabe de si e sabe a dor que ressente, poderia deixar aqui algum registro. .
[O aporte teórico deste texto está em Nietzsche, Freud, Max Sheler e Lacan]
outros textos publicados aqui
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Em pequenos intervalos, as novas tentativas de superação das experiências dolorosas empreendidas, podem resultar em vão e assim trazem de volta - com o ressentimento - a memória daquela dor inicial e insuportável. Acrescida de sentimentos potencializadores e a contar com a condição humana que é diferente de natureza humana - a destrutividade - interna ou externamente produziria as diferenças humanas e assim, novas formas de expressão de natureza e cultura.
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A ação de ressentir seria uma tentativa desesperada de refazer o sentimento de impotência. O ressentido, nesta penosa sequência de investimentos falhos, sofreria em escala crescente uma espécie de distorção em seu comportamento, resultando em um processo desconstrutor que na maioria das vezes, foge à nossa percepção.
- Admitindo que a natureza humana é algo que se distingue da condição humana;
- reconhecendo que somos sujeitos imersos na cultura e na história, com suas invenções e opressões;
- considerando que, de acordo com Freud, a pulsão é ao mesmo tempo uma força de trabalho, criação e morte, que é perversa e polimorfa e que, portanto, pode ser destinada a qualquer objeto;
- aceitando a hipótese de que, pelos inúmeros exemplos de violência e destrutividade às peles e mundos, o Homem moderno já seria capaz de deduzir que a pulsão bruta, sem a mediação do pensamento tem um poder devastador, a si e aos outros,
a reflexão que agora proponho às nossas peles é pensarmos se: uma vez que chegamos em limites exacerbados de dor, angústia e vazio, seria possível ao Homem encontrar formas possíveis de significar, expressar e manifestar este impulso agressivo, sem que isto gerasse sentimento de inadequação e consequente destrutividade e aniquilamento? Que destinos construtivos seriam possíveis à pulsão nesta nova era?
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Em descargas brutas e automáticas esta força pulsional que ao mesmo tempo é capaz de criar ou matar, seria como um monstro que, desgovernado e incontido, buscaria saciedade imediata a qualquer custo, de qualquer modo. No texto anterior, vimos que as posições de Nietzsche, Freud e Scheler são pessimistas. Segundo Freud a destrutividade seria uma inclinação autônoma, e a pulsão podendo ser ao mesmo tempo criativa e destrutiva interna e externamente, em extremos poderia levar ao aniquilamento de si e de outrem. Freud sugere que pensar a dor, sentí-la e significá-la de modo construtivo poderia estreitar relações emocionais e nisto estaria o antídoto às guerras..
Opostamente temos o não pensar, a recusa em destinar criativamente esta pulsão. Nos instantes de crise e estrangulamento decorrentes do esforço psíquico do sujeito ressentido em reprimir sistematicamente a descarga de certas emoções e afetos, a pulsão transbordaria culminando no adoecimento físico ou psíquico, com menor ou maior gravidade até chegar em extremos, à destrutividade e aniquilamento. Somente através do pensar, poderíamos encontrar outros destinos.
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Mas como encontrar um destino possível, se ao que parece, a tendência atual seria o não pensar; e descarregar automática e autonomamente esta força, numa onda crescente de violência e morte? Por outro lado, se falamos de pensamento e expressão, o silêncio mórbido e aflito do ressentido, poderia ser contra-indicado?
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Ora, se apenas no pensamento e do poder criativo residem as alternativas para ressignificarmos este incômodo, e se comumente nos recusamos a pensar e elaborar, como poderíamos vislumbrar um destino construtivo nessa nova era?
De que modo poderíamos expressar tal impulso, sem que a decisão resulte em violência exterior ou auto-destruição?
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A despeito dos avanços científicos e tecnológicos, a dor é inerente e inevitável pois em alguma medida a tecnologia se mostra ineficaz àquilo que é subjetivo. O que mais assistimos neste instante é a recusa do Homem em pensar destinos construtivos à sua dor e vazio, aos seus impulsos mais primitivos e secretos.
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Se pelo que vimos a recusa em pensá-la nos embrutece, como poderíamos desenvolver mecanismos para conciliar e apaziguar esta força de trabalho que é a pulsão, com expressões adequadas ao convívio civilizado, com pretensões a construção de um mundo diverso e sustentável?
Que caminhos e expressões sua pele vem encontrando para destinar seus impulsos?
Seria possível modificar padrões de comportamentos destrutivos, e transmutar essa força motriz em expressões criativas e construtivas?
Como fazer e quais os caminhos possíveis para fazê-lo, se desistimos das experiências em trilhas opostas às costumeiras, porque o novo ainda dó mais?
É isto que proponho possamos discutir a partir de agora.
O que sente sua pele? O que pensa você?
Parece-me que são muitos os sentidos, caminhos, direções, destinos e expressões, gritos e falas, e cada pele que sabe de si e sabe a dor que ressente, poderia deixar aqui algum registro. .
[O aporte teórico deste texto está em Nietzsche, Freud, Max Sheler e Lacan]
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