Ao longo do processo civilizatório, um estranho e destrutivo comportamento parece ter sido desenvolvido, culminando nos atuais e ameaçadores níveis, ao mundo e às peles. Sob o ponto de vista ético, um falseamento de valor - em relação a seu próprio valor, teria sido cometido pelo homem. Fundamentados na crença do bem e do mal, a adoção de valores falsos e inverdades estaria na gênese da dominação, escravidão, humilhação e impotência. Neste suposto conjunto excludente estaria ancorada uma falsa moral, os preconceitos e as injustiças.
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Distanciado de si e dos seus valores o homem encontra-se imerso em medo, dor e solidão. Neste vazio, desamparado e só, o homem ressentido e rejeitado, distorceria os princípios fundamentais do convívio civilizado. Nas reflexões acerca da conduta humana, há relevantes contribuições. Delimitamos este estudo no pensamento filosófico e em teorias psicológicas. Para focarmos esta análise, não incluiremos os aspectos religiosos e geopolíticos. Os estudos realizados evidenciaram advertências quanto ao ressentimento que assentaria na gênese e posteriormente na dissolução dos valores primordiais ao homem sendo este o propulsor de suas mais aflitivas dores. Do que valeria às nossas peles, compreender a genealogia de uma ética do ressentimento? É o que proponho refletirmos neste texto.
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Re_sentir seria: - sentir novamente algo que, vinculado ao sentimento de humilhação e impotência humana, resultaria numa série de tentativas com insucessos e assim, a cada novo sentir, os sentimentos de impotência e humilhação se repetiriam sequencialmente. Um sofrer profundo e surdo se concentraria, ampliando as marcas e dores interiores. No acúmulo haveria um transbordamento, um ódio doentio, numa espécie de auto-intoxicação permanente. Este instante de estrangulamento e crise poderia decorrer - do esforço psíquico do sujeito ressentido em reprimir, sistematicamente, a descarga de certas emoções e afetos que transbordariam, levando ao adoecimento físico ou psíquico de menor ou maior gravidade, chegando em casos extremos, aos desvios de conduta, ruptura social e, no ilimite, ao terror.
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Articulando o pensamento filosófico e psicológico, a ação de ressentir seria uma tentativa desesperada de refazer o sentimento de impotência. O ressentido, na penosa sequência de investimentos falhos, sofreria uma espécie de distorção em seu comportamento resultando em um processo desconstrutor que culminaria em altos níveis de medo, agressividade, destrutividade, dor e solidão. Os estudos sugerem que a distorção perceptiva o levaria a ver o objeto de admiração como demasiado bom no outro e inacessível a si. Diante da impossibilidade de tê-lo, o veria como - mau e indesejado. Disto poderia decorrer uma idéia de contágio e, em exposição prolongada à dor, tentaria negar, evitar ou banir a qualquer custo, aquilo que, vinculado a experiência dolorosa, o fez sentir-se impotente.
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O impulso destrutivo seria uma tentativa de tirar do outro, aquilo que é admirado e , supostamente inacessível a si. Poderia ocorrer um impulso voraz, insaciável e inconsciente de esvaziar até deixar seco de vida aquele que, admirando, percebe como um mal. Que motivos levaria o homem a abrigar em sua psique esses impulsos agressivos e hostis a si e a outrem? Seria possível ao homem de hoje, por si ou pelas gerações futuras, tentar reencontrar os valores do sentir, sem pressentimentos ou ressentimentos? Mundos e peles, histórias e geografias do humano que situam o homem como estrangeiro a si.
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Em substituição ao pensamento bélico, violento e destruidor, seria possível reaprendermos a demonstrar gentileza, civilidade e gratidão? De que modo, sem a destrutividade da espécie ou a degradação do planeta, nossas peles suportariam a incompletude, a dor e a solidão? Se há medos que são perpassados por gerações e se em qualquer idade, podemos estar aprisionados aos medos infantís, o que poderíamos fazer pelos nossos ressentimentos de modo a não comprometermos o livre sentir das gerações futuras? Haveria em sua pele memória de ressentimentos de um outro a si? Haveria em sua pele um ressentimento que pudesse estar sendo repassado? O que pensa sua pele que seriam caminhos possíveis em direção ao reencontro dos verdadeiros valores e princípios de cada pele, sem ressentimentos? Quais são suas verdades e suas mentiras? As contribuições de cada pele em suas experiências e comentários, nos auxiliarão na sequência deste estudo.
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Mai.
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o referencial teórico estão presentes o pensamento de: Nietzsche - genealogia da moral, a dissolução da moral coleção sendas e veredas
Freud, O Bem Estar da Civilização - Peter Berger, Perspectivas sociológicas - Max Sheler, El Ressentimento em La moral
Melanie Klein – Inveja e gratidão
o referencial teórico estão presentes o pensamento de: Nietzsche - genealogia da moral, a dissolução da moral coleção sendas e veredas
Freud, O Bem Estar da Civilização - Peter Berger, Perspectivas sociológicas - Max Sheler, El Ressentimento em La moral
Melanie Klein – Inveja e gratidão



