Sempre gosto de pensar a criança na elaboração do pensamento e
linguagem e demais funções psíquicas. Esta será uma idéia recorrente em nossos textos. Todas as crianças costumam ter seus 'amigos ocultos'
ou 'invisíveis'. Em seus diálogos com esse 'outro', invisível aos olhos alheios, a criança confia seus segredos.
Qualquer adulto que pretenda
sondá-la à respeito, precisará gozar de
inteira confiança do pequenino.
Assim é o Alter Ego - Um amigo ítimo.
Um "outro Eu" a quem se pode confiar,
tanto como quem confia em si mesmo.
Aqui é importante atentarmos para os conceitos de
'intra-psíquico' e do que é externo à psique humana.
.
Um encontro esta semana, levou-me a discorrer sobre o tema alteridade.
O ‘Eu’ será pensado como ‘identidade’ e oposto a esse sentido,
encontraremos o ‘Outro’ Eu – o alter Ego.
Tema complexo e com visões distintas, a alteridade atravessa diversos saberes. Prefiro pensá-lo como eixo comum, nos olhares da filosofia, psicologia e sociologia.
Quem é esse outro a quem nos referimos como diverso a nós?
Quem é esse outro que nos fala e cala?
Quem é esse outro que rejeitado socialmente,
rejeitamos no outro e automaticamente
reprimimos em nós e nessa direção mais
facilmente atribuiremos,
sempre ao Outro o que não admitimos em nós?
Parece difícil pensarmos que nós somos seres ambíguos e duais. Impossível admitirmos em nós a lucidez e a loucura.
Mais fácil bani-la para que não sejamos ‘agredidos’ com o que nos é diverso. Supondo saber o que no outro é estranho a nós, criamos os estereótipos, julgando a superfície do outro.
Pensemos em nossas peles e em nossas experiências.
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Quantos desejos ou vivências ocultamos
porque reprovamos e condenamos no outro?
E esse algo que condenamos no outro e
que ocultamos ao outro que existe em nós,
somente nós sabemos desejar?
Quantas vezes atribuímos ao outro a
responsabilidade pelos nossos atos e escolhas?
Quem teria soprado aos nossos ouvidos
as ordens e os comandos do faça-se?
Quantas vezes um outro que aparece
e desaparece soprou-nos uma missão?
Será que algum outro ou qualquer
instância externa a nós saberia o que é intrapsíquico?
E isto seria possível sem que houvéssemos comunicado?
Alguém pode penetrar em nossas mentes?
Então que é alteridade e quanto há de
mim nesse outro a quem eu condeno e excluo?
Então de onde viriam a culpa e a vergonha?
Do Outro Eu?
Que é esse outro eu, diverso a nós?
Diverso a nós ou parte nossa que renegamos?
Porque renegamos?
Como apaziguarmos esse diálogo de dualidades?
E sua pele, como sente este tema?
Em psicologia remeteremos alteridade à primeira relação oposta ao ‘sujeito que pensa’ – EU – e o objeto pensado , como o Não Eu. A filosofia pensará nas relações com outrem e a sociologia admitirá o Ser em sociedade sendo este, suscetível às influências e pressões sociais e históricas.
Em psicologia remeteremos alteridade à primeira relação oposta ao ‘sujeito que pensa’ – EU – e o objeto pensado , como o Não Eu. A filosofia pensará nas relações com outrem e a sociologia admitirá o Ser em sociedade sendo este, suscetível às influências e pressões sociais e históricas.
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Mai


