domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Pele e o tempo - A dor suas causas e efeitos...

Decidi pensar nas dores humanas e no tempo.
Pensar em ambos - causa e efeito.
A minha pele foi criança um dia. E não importa quantos anos eu já tenha vivido, a memória da pele da criança em suas experiências, ainda habita em mim.
Em seus experimentos as crianças elaboram os conceitos e a lógica do pensamento, linguagem, percepção e emoção. Não poderia julgar se todas as peles necessitam as mesmas experiências. Minhas questões sempre envolvem o tempo e seus efeitos e o tempo como causa.
O lúdico sempre serviu para que eu encontrasse a boa medida de permanência e exposição ao que me é nocivo. O que me é diverso, nem sempre é ameaçador ou nocivo. Tolerância às diferenças é um outro tema. A questão é a medida de exposição ao que me causa dano ou mal.

A brincadeira consistia em ‘atravessar’ 'transitar' 'passar rapidamente' o dedo indicador pela chama de uma vela. Se eu me detivesse segundos além do necessário à passagem e transição, sentia dor. Se me detivesse ainda mais tempo, além da dor, aquele tempo a mais com o dedo exposto à chama, 'causava-me' uma bolha que me impedia de brincar.

Qual era a causa da dor?
A escolha da brincadeira?
A chama?
A experiência?
Ou o tempo de permanência e exposição ao fogo?
Que é causa?
Que é o mal aqui nesta experiência?

Pensei que quanto menor o tempo que eu me detivesse exposta, menor seria a dor. Inversamente os efeitos e os danos podem ser irremediáveis.
Podemos 'atravessar o tempo de um lado ao outro. Do passado tenho memórias e referências. No futuro existe algo que não sei, pois não há como prever o meu ser e o meu estar diante do inesperado inerente ao viver. Poderei prospectar um futuro, traçando metas...
Mas a minha ação está no agora, no hoje.
No hoje e no aqui e agora, é que estamos revisitando aquela 'brincadeira' com a chama. O jogo é a vida, o viver e a dor e está aqui a decisão de permanecer mais ou menos tempo exposto à chama.
Minha Pele ‘sofre e sofrerá’ a influência de ambas as instâncias do tempo - no hoje, passado e futuro poderão interferir, paralisar, adoecer, fazer sofrer.
Viverei mais ou menos o meu hoje melhor ou pior, à medida da minha escolha pela permanência ou trânsito no tempo - chama.

Estaria aí a questão do ser e do estar na dor?
O que as outras peles sentem?
***
Mai

9 comentários:

Alma Nua disse...

...posto que somos espíritos
experienciando sensações
humanas.
há que se saber lidar com
a dor do caminho,
onde atravessamos um deserto
chamado aprendizados, que
só respondem satisfatoriamente
quando os sentimos na pele,
aquela que nos protege a
frágil matéria.

dor é simples dor,
desde o primeiro vagido.
depende de nós, darmos
a ela a medida do sentir.

smackssss, lindeza!

Luciene de Morais disse...

Mai, nunca havia pensado nisso, dessa maneira.
Da importância do tempo de exposição!
Será que para todas as dores funciona assim também?
Quanto menor o tempo, menor o mal?

tossan disse...

Somos passageiros, é como provar uma bebida amarga e doce ao mesmo tempo, tipo Bitter, Você bebe e gosta e é amarga no final e temos que vence-los. Bj

Rosa Choque disse...

Seu blog é muito interessante e os textos muito profundos.
Gostaríamos que você participasse do nosso blog (Rosa Choque), com comentários aos textos postados.
Sua opinião é muito importante pra nós.
bj

Cadinho RoCo disse...

Se pensar na mutação da pele, no seu tempo de vida eis que não precisarei de caminhar muito para perceber que estou sempre revestido pela mudança que sou eu, que sou presente.
Cadinho RoCo

Paulo Tamburro disse...

MAI, impossível começar este comentário, sem dizer-lhe que a apresentação do seu blog, encimada por aquela imagem,foi uma das coisas mais sensíveis e bonitas que já ví.

Quanto ao seu texto ele é tão completo e exprimiu de forma absolutamente definitiva, aquilo que você deseja explicitar, que para dar minha contribuição(?) só se usasse- e como farei - suas prórias palavras, quando diz:

"O jogo é a vida, o viver e a dor e está aqui a decisão de permanecer mais ou menos tempo exposto à chama".

Ou seja, Mai, quando somos crianças arranhamos os cotovelos, quebramos o braço,ralamos as canelas...

Quando nos tornamos adultos, vivemos machucando a alma.

MAI- e se isto pudesse de alguma forma colaborar para este seu texto que é definitivo eu dia que:

O que para a lagarta é o fim do mundo, para Deus é o nascimento da borboleta.

Voe Mai!

Um grande abraço carioca.

mateo disse...

Enquanto te lia, ia substituindo a "dor" pelo "prazer". Deixei a "chama".
Eu sei que estou a fugir ao tema... estou a fugir da dor. Eu sei.
Mas que queres?
Senti-me bem com o tempo tão demorado em que "assei" à chama do prazer...
Beijos apesar da fuga.

Multiolhares disse...

A nossa pele vagueia num aprendizado
sem memórias, e na realidade é o hoje que comanda,
o livre arbítrio das nossas devoções, e assim vamos
construindo escadas para subirmos ou descermos as escadas da compreenção.

beijinhos

Multiolhares disse...

onde le lê

"o livre arbítrio das nossas devoções"
é para se ler o livre arbítrio das nossas decisões.
beijos